serve-se morto

Je sais que j’aurai peur une dernière fois.

mudar de vida

Há anos fodidos. Anos volvidos sem investir a minha sorte no euromilhões por uma questão de princípio, rebento as finanças numa merda de uma box para me amargurar de cada vez que assisto a 90 min (nem na época do skhuravy me sucedia isto), arrepio-me todo de cada vez que um trolha insiste em provarà turba que é impossível traçar uma perpendicular à lateral com a bola, é marrar na coisa, os 50º um dia vão dar recto. A outra estrela (10 milhões) acolhe a bola tão bem como o maciço da pedreira, o caxineiro mete dó, nem o cão do chileno me safa…150 euros, nível um de treinador e eu fazia aquela merda. Trepos, só vejos trepos, e o benfas a preparar-se para a vitória final, e nada me enoja mais do que isso. Não bastava o ano da perfídia absoluta, ainda dei por mim a ter saudades dos formulários online, do desterro, e a insultar um funcionário público (e sim, isto é assaz extraordinário , sempre tive aquela estranha peia que me impede de desatar a insultar mangas de alpaca) enquanto tratava de me chibatar por dentro (raios fodam que um gajo prescreve se não acabar de escrever um livro num ano, mas isto é em outubro, em julho não era, em setembro era uma prescrição assim daquelas pequenas que se resolvem com um requerimento ao Exmo. Sr. Director). Kafkiano o caralho é so mesmo mau, enfim que nos entretantos, estou como que um leproso ou pior que isso, os funcionários públicos querem que um gajo sinta na pele o que é ser olhado de soslaio, e portanto, mentem, descaradamente (da próxima vez penso também em cumprir prazos, mas a revolta é justa). Aqui chegado, basta repetir a mecânica de todos-os-dias, aguçar a tendinite, e aguentar no rame-rame desta cegarrega lamurienta. Ou agir (não estou convencido mas vi o Scarface ontem, e um gajo só tem a palavra e os tomates)Resolução de ano novo: Vou tirar o raio do curso, 1º nível, mandar toda a gente para o raio que a parta, esgotar os meus pesadelos entre um Abel e um Caicedo, e poder plagiar o Pacheco: “ora aqui está o que poderíamos chamar de uma deliciosa sandes de merda”. Isso e deixar de fumar, para não fazer a micro.

Novembro 4, 2009 Publicado por josepedromonteiro | Uncategorized | | Sem comentários ainda

quotidiano incongruente*

estar a gramar com Aron e Morgenthau e estar casi, casi a desalambrar .

* medley de Miguelanxo Prado (que falta me faz…)

 

Outubro 28, 2009 Publicado por josepedromonteiro | Uncategorized | | Sem comentários ainda

errata

Devia ter vindo antes do anterior mas enfim, é para picar o ponto com uns dias de atraso

Outubro 20, 2009 Publicado por josepedromonteiro | Uncategorized | | Sem comentários ainda

qualquer coisinha simpática

à trois..

Falta um…

Outubro 20, 2009 Publicado por josepedromonteiro | Uncategorized | | 2 Comentários

Consegue-se, quase sempre, evitar a pergunta, a cruel, a mais insidiosa de entre as que voltam sempre ao ventre que a pariu. Surge, relapsa, num dos intervalos fugidios dedicados a queimar falanges e fingir diálogos.  Excruciante quando regressa, na mirada para o espelho, directa á  barba mal-feita e mal-nascida, aos três quartos de hora que perdemos a ler inutilidades absolutas, quando surge a ideia peregrina de repisar a merda dos outros dando-lhe um toque nosso. Quando a bolacha já meia recessa nos provoca a aflitiva dor no molar direito, sagazmente anunciadora da repetição do dia anterior que teima não só em dar-se como a prenunciar o dia de sempre.  O dia em que o olho esquerdo teima em piscar e verter águas de secura, em que o ouvido direito  continua a descrever o trajecto rumo à surdez, em que a garganta  insiste em depositar areia no seu próprio fundo, a moleza debaixo das pernas sem a qual o dia já não é dia.

Extenua,  já não há enfermidade que valha, jaz apenas a pergunta causadora da miríade de maleitas escrutinadas até ao limite mais robusto da paciência (nossa e dos outros). E a pergunta carrega a lucidez num arroubo repugnante, a injustiça e o vigor da punição são  profiláticas, não há espaço para mais, a angústia infundada é bicho adiposo.

Sobra a pergunta quando a suspensão da mania ou do temor sequencialmente  der lugar à parelha das suspensões. Resta o espelho, o gesto a duas mãos de preparação do caldo do costume, as voltas intermináveis com as mãos sempre ocupadas como se delas viesse a pergunta. Até não poder fugir mais, nem o tão jeitoso “psicossomático” chega em socorro. Nem ter pena, já nem isso nos valhe. Por vezes não adianta vociferar que não há pressa.

Nada como a solução do costume, fingir que nunca soubemos da volatilidade da coisa e descobrir que o acaso é uma coisa  inventada hoje. Jamais mudar ou dar sentido a isto.

Regressar ao  espelho, contemplar a fealdade de hoje, escrutinar as imperfeições todas, pensar na imbecilidade do quotidiano, na pesporrência que se despeja em baldes, escarnecer, só mais uma vez, da inutilidade assoberbada que nos dita que a eminência do sacrifício vale a pena  só para poder cravar a plenos pulmões no raio do vidro que ninguém nos encomendou nada.

Páginas tantas,  é repetir o caldo e esperar que seja amanhã. Um amanhã deste género:

 

Outubro 14, 2009 Publicado por josepedromonteiro | Uncategorized | | Sem comentários ainda

Poema pouco original do medo

O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis
Vai ter olhos onde ninguém o veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no teto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
ótimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projetos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com a certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo
(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Alexandre O’Neill

Setembro 11, 2009 Publicado por josepedromonteiro | Uncategorized | | Sem comentários ainda

quando já não depender de nós…

Prime, pelos vistos isto zurze a cabeça de toda a gente. Largo mais dois, o remédio repete-se, placebo a enfeitar um esgar retorcido pela gargalhada solitária…

“Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza…
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.”

Mário de Sá Carneiro

P.S. Reparei agora que o Tim também tem uma que encaixa mas não quero conspurcar o post… e duvido que esse tenha alguma coisa para zurzir…


Agosto 24, 2009 Publicado por josepedromonteiro | Uncategorized | | Sem comentários ainda

Ora…

Actuação escrita

Pode-se escrever

Pode-se escrever sem ortografia
Pode-se escrever sem sintaxe
Pode-se escrever sem português
Pode-se escrever numa língua sem se saber essa língua
Pode-se escrever sem saber escrever
Pode-se pegar na caneta sem haver escrita
Pode-se pegar na escrita sem haver caneta
Pode-se pegar na caneta sem haver caneta
Pode-se escrever sem caneta
Pode-se sem caneta escrever caneta
Pode-se sem escrever escrever plume
Pode-se escrever sem escrever
Pode-se escrever sem sabermos nada
Pode-se escrever nada sem sabermos
Pode-se escrever sabermos sem nada
Pode-se escrever nada
Pode-se escrever com nada
Pode-se escrever sem nada

Pode-se não escrever

Pedro Oom

Actuação Escrita


Agosto 20, 2009 Publicado por josepedromonteiro | Uncategorized | | 1 Comentário

Promessa

Podia acender a vela pelo resto, mas é pagã o suficente (esta) para não implicar torcer o cepticismo.  Talvez não fosse tão estúpido quanto isso, deixar a moeda e, como teste, acender a lamparina no S. Bentinho da Porta Aberta (a tradição manda que se troquem bolhas nos pés por cravos nas mãos, ou vice-versa, já não me lembro, mas o progresso não se compadece) e esperar que uma quadrícula cinzenta se desvaneça no meio da faustosa orgia de sóis que se espalha pelo espaço limítrofe, que as esquinas deixem de ser esquinas e que os agrafos derretam e do casulo saiam fios  . Regra dos três simples:  dois vinténs, ser atendido no segundo centro de saúde que visito, só ter duas bestas a berrar aos meus ouvidos, saber se ainda tenho direito a ADSE e onde pára o cartão de utente ( aqui o inaudito tem pouco a dizer), a enfermeira oferecer-me a torquês com que eu, futuramente, poderei arrancar todos os agrafos que não fecham, ficam só em “U”, cravados no cocuruto.

Calcorreando a mesma linha, passa-se aos três e aí, bota betume, que é para ser razoável como diziam os  “Garrels” e idiotas afins das barricadas (a todo aqueles que têm um lugar reservado no ventrículo esquerdo, espero que nunca tenham de ver mais de 3 minutos, os que eu vou chapar, dos amantes regulares, a expressão é girinha mas não se iludam):  aos três, para cima de uma fortuna, é de esperar que olhos secos sejam olhos secos, que dores no pescoço não passem de dores no pescoço, que o cabelo que vai obrando uma esplendorosa calvície no trajecto até ao chão, a garganta irritada, as irritações avulsas e a fadiga  não passem de sintomas de ansiedade, segregada em doses cavalares. Aliás, e para ser mais exacto,  que a porra das meninges não trabalhem em seco, em busca de todas as enfermidades, ao ritmo de mais de uma por dia, apenas para se desviarem daquilo que não tem “remédio nem nunca terá” . E já agora, pelos três o cardápio é largo, uma inspiraçãozinha ou, caso esteja a abusar, a subjugação da realidade a meu bel-prazer, um DiSalvo despido da ” geometria lacaniana” da estrangulação, entre a Patagónia e Atacama ( o meu pode ser chileno e não argentino), esboçada numa cela, a estrebuchar de aclamações e salvas…

Por meia dúzia de vinténs nem eu acredito nisto (que a sovinice está bem distribuída pelo  divino) mas por 125, e a promessa foi cumprida, um rapazinho, também parido por aquelas bandas, vai furtar-me aos achaques anteriores durante 90 minutos todas as semanas. Não é grande coisa mas  a TV já não via o meu sorriso embevecido há muito, especialmente quando os sarracenos  lançavam esgares de sofrimento, que nem esventrados a fio de espada, cada vez que o jovem  os humilhava da forma mais torpe . Só isso já justifica o meu baptismo ao lado dos pagadores de 15 de Agosto.

Agosto 19, 2009 Publicado por josepedromonteiro | Uncategorized | | Sem comentários ainda

Sensibilidade a rodos

Para quem acha que a polícia de Braga é trauliteira, reaccionária e tudo o mais que possa denegrir a imagem da corporação, deixo a prova cabal da injustiça dessa caricatura:

“A investigação que levou à sua detenção e entrega no Estabelecimento Prisional de Braga começou há cerca de dois anos, quando a PJ de Braga recebeu informações fidedignas de que o foragido poderia esconder-se nos montes à volta da sua residência. No decorrer das investigações, os elementos da PJ enfrentaram um meio que “não sendo hostil, também não era favorável”. Ou seja: muitos teriam conhecimento do caso, mas, quando interrogados, todos garantiam não saber de nada.

Na manhã de hoje, e depois de muitas caminhadas e vigilância, foi desencadeada uma operação que a PJ baptizou de “Cro-Magnon”. Envolveu 12 agentes que tiveram de se deslocar a pé, visto que o local onde se encontrava o fugitivo não era acessível com veículos motorizados.

O detido encontrava-se na posse de uma arma de fogo, mas, apesar de ter reagido violentamente à detenção, não efectuou disparos. Vivia “em condições minimalistas”, segundo a expressão de um responsável da PJ, e tinha consigo pão e frutas. A sua aparência assemelhava-se à de um mendigo, com barba de vários dias.

Ultrapassado o nervosismo provocado pela detenção, o detido veio a revelar-se um grande conversador – “falava como um papagaio” -, sintoma do grande isolamento em que vivia. A sua única “companhia” era um rádio que lhe permitiu ter conhecimento, por exemplo, das últimas eleições no Benfica. Na Polícia Judiciária de Braga não há memória de um caso sequer parecido.”


O artigo completo.

Julho 29, 2009 Publicado por josepedromonteiro | Uncategorized | | 1 Comentário